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A serenidade de Marcia Granja

Lado B – Marcia Granja, idealizadora do projeto Sonhos num Potinho, deixou seu lado A de escanteio há pouco menos de um ano. O resultado? Mais serenidade. “Meu lado B é um lado desacelerado. Que observa o tempo da vida, que para pra apreciar coisas simples, que não tem tanta pressa. E esse lado faz parte do meu cotidiano desde o segundo semestre do ano passado.”

Foto: divulgação

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Capa – Hoje ela considera tal lado indispensável e motivos não faltam para isso. “Não gosto de rótulos, de aparências, cargos e sobrenomes. E as pessoas lidam assim umas com as outras. O mais importante pra elas, na maioria das vezes, é ter poder, grana. As pessoas são seres-objetos. Descartáveis”, afirma. “Meu lado B é especial porque ele abre um campo de visão que me tira dessa cegueira desenfreada. Com ele tenho uma sensibilidade maior para definir o que de fato é felicidade, e assim, estou em paz com a vida.”


O refúgio de Zilah Rodrigues

Lado B – Zilah Rodrigues é publicitária e artesã. Ela também mantém um blog, tem uma filha adolescente, é viciada por figuras de cogumelos e cuida da loja Toda Coisinha. O dia a dia agitado não impede Zilah de encontrar tempo para seu lado B.  “Agora tem uma coisa que eu preciso fazer sempre, se não nada flui, nada vai pra frente. Vez ou outra, principalmente nos fins de semana, preciso me dedicar à preguiça. Passar o dia deitada na cama comendo besteiras, vendo filmes, séries, ouvindo música, lendo um livro ou simplesmente deixando o tempo passar enquanto penso e respiro.”

Foto: divulgação

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Pause – A publicitária conta que essa pausa é importante porque faz com que ela se desligue do trabalho, das obrigações, e relaxe. “E  nesses momentos, vezes estou sozinha, vezes acompanhada do meu noivo ou da minha filha.” Foi com o passar do tempo que Zilah percebeu a necessidade de parar e relaxar. “Acho que esse lado se acentuou mais à medida que a carga de trabalho foi aumentando e aí a necessidade de ter um momento de relaxamento, só para mim, passou a ser maior. E essa foi a melhor forma que encontrei, pois meu quarto é meu refúgio.”


Mari Pavanelli: amor e cor.

mariLado BMari Pavanelli é formada em propaganda e marketing e atua no mercado online como analista de produtos.  Também é artista autodidata, fato que deixa seu lado B encantadoramente colorido. “Meu lado B sempre foi desenhar, hoje em dia transformo meus desenhos em grafite pelos muros da cidade e venho migrando meu trabalho para as telas”, diz a artista. “Me dedico à arte todos os dias, estou sempre estudando e criando nas minhas horas vagas.”

Faixa 1 – Há cerca de dois anos, Mari decidiu colocar mais cor em um sábado cinzento e úmido. Munida de spray, saiu em busca de seu primeiro muro.  “Quando encarei o muro pela primeira vez, tinha certeza que algo ali era familiar, como se eu me sentisse em casa”, conta. “Comecei grafitando um coração alado, mas quando percebi eu vi que não era apenas cor que tinha colocado em um muro cinzento, e sim muito carinho, como forma de demonstrar meu amor e gratidão pela cidade.”

Capa – Nos domingos seguintes, Mari continuou a mostrar seu amor pela cidade e percebeu aos poucos seu estilo nascer, com suas flores expressadas em movimentos orgânicos. Hoje a artista garante que o grafite lhe ensinou muito. “Com o grafite eu aprendi a doar mais, a dividir mais, a respeitar as diferenças, e a me entregar com amor e dedicação a tudo o que eu fizer”, afirma. “Poder expressar os sentimentos mais sinceros que existem em meu coração através da minha arte, seja no grafite ou nas telas, é como viver a realização de um sonho todos os dias. É o meu melhor!”

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação.


Panmela Castro pelo mundo

Lado BPanmela Castro é grafiteira e ativista. Também é batalhadora, uma  das características que ajudou a moldar seu lado B. A artista confessa que esse lado B chega a assustá-la, mas afirma que também aprendeu algumas lições com ele, como, por exemplo, o respeito pela diversidade. “Na minha caminhada aprendi a respeitar o outro, principalmente a diversidade, e foi através da descoberta deste meu lado B que pude perceber que nem sempre estamos certos sobre tudo. Entendi os perigos desta cidade e o quanto devemos respeitá-la. Descobri toda essa gente de tantas opiniões de valor e como conviver com isso tudo”, diz. “O meu lado B é daquela menina que acha que sabe de tudo, muito briguenta e que pensa que pode abraçar o mundo com seus pequenos bracinhos!”.

Capa – Com o tempo, Panmela percebeu que suas supostas imperfeições contribuíram para o êxito de seus objetivos. No começo, a coragem da grafiteira fazia ela acreditar que podia pintar a cidade toda. “Falta de medo, cara de ‘pau’ e principalmente brigar pelo que se quer me fizeram conquistar meu espaço em minha profissão que é tão masculina. Acho que foi isso que fez com que eu hoje pudesse realizar meus sonhos de pintar por todo o mundo, ser aceita e principalmente bater de frente com o que está aí e tentar mudar um pouco disso tudo, como faço no trabalho com minha ONG, a Rede NAMI, que procura repensar a posição da mulher em nossa sociedade.”

Mural at Park Hamessila, Jerusalém, Israel. Crédito: Divulgação.

Mural at Park Hamessila, Jerusalém, Israel. Crédito: Divulgação.


Produções musicais de Pedro Luís

Lado BPedro Luís é cantor e compositor do grupo Pedro Luís e a Parede, além de um dos fundadores do bloco de carnaval Monobloco. Sua faceta menos conhecida também faz parte do universo artístico. “Meu lado B é o de produtor musical e sempre que há demanda, lá vem ele fazer parte de meu dia a dia.”

Trilha sonora – O músico conta que essa atividade foi chegando por acaso na vida dele. “Por trabalhar com música desde a adolescência e aprender a fazer tudo com as próprias mãos acho que isso fez com que os amigos e conhecidos me demandassem esse tipo de atividade. É bem verdade que tomei gosto e já tive o prazer de produzir coisas bem interessantes, de trilhas de cinema a CDs”, diz.

Capa – Quer saber por que o lado B de Pedro Luís é indispensável? Ele explica. “Porque sempre me traz novos ares e referências, o que é fundamental para a criação artística.”

Crédito: Jorge Bispo


A arte pop de Benê Evangelista

Lado B – Benê Evangelista é designer e artista plástico. E é dentro do seu universo criativo que está seu lado B. Não por ser pouco conhecido, mas pela maneira inusitada com que ele cria suas peças, usando estampas e logomarcas de produtos conhecidos.

Primeiros sons – O talento de Benê vem desde criança, quando era considerado o garoto prodígio nas aulas de educação artística. No dia a dia, as brincadeiras de rua não faziam parte da rotina do pequeno artista, afinal ele tinha sempre outro compromisso: cuidar dos dois irmãos em casa. Com a tarefa, Benê passava boa parte do tempo em frente à televisão. “Por isso me viciei em programas, filmes, séries, comerciais e em muitos desenhos animados”, explica. “Eu sempre estava assistindo TV com papéis variados, lápis, canetinhas hidrocor, cola, tesoura e o que mais encontrasse disponível em casa para uma criança. Muitas vezes, quando os meus pais não podiam comprar os brinquedos e objetos dos comerciais, eu os construía ao meu modo, mas sempre usando o máximo de criatividade para ficar o mais próximo do original.”

Fotos: divulgação

Capa – Os brinquedos famosos da época, como Gênius, Ferrorama e Atari, não faziam parte do cotidiano do artista, mas ele mesmo dava um jeito de suprir essa necessidade. Munido de papel, cartolina, embalagens e outros objetos reutilizáveis, Benê recortava, colava e coloria esses materiais, criando seus próprios brinquedos. “Cheguei a construir até carros enormes para brincar de motorista, com portas, porta-malas, painel, rodas, faróis com lâmpada de vagalumes vivos e motor de madeira!”, diz. “Isso foi até os meus 12 anos, pois aos 13 repeti de ano na escola”. A punição? Meus pais me colocaram de castigo nas férias daquele ano em uma marcenaria, em tempo integral. Aí eu me apaixonei por madeira e ferramentas.”

O castigo fez o designer aprender muito mais do que o esperado e despertou nele o fascínio pelo universo da marcenaria. Há cerca de dois anos, Benê fabrica peças com estampas e logomarcas de produtos famosos. “Posso dizer que hoje me sinto realizado, pois sou apaixonado pelo que faço.”


Conexões de Mel Vieira

Lado B Mel Vieira é praticante de capoeira. Seu lado B é ocupado por outra atividade ligada à arte, a yoga. Hoje ela é professora de yoga e conta que descobriu seu lado B há 14 anos, pouco antes de ter seus primeiros contatos com a capoeira. “A cada dia descubro algo novo na conexão de ambas as artes”, diz Mel.

Fotos: Juliana Cintra

Ritmo – Quando fala sobre a atividade explica que a  yoga é sua vida e seu trabalho. “A capoeira é uma arte também espiritual. Ambas as artes estão conectadas às forças da natureza. Com a capoeira interajo com o todo ao meu redor de maneira precisa, diferentemente de olhar para uma de suas partes. Nela, encontro a dança, a musicalidade, a luta, a resistência e a flexibilidade importantes para o cotidiano”, afirma. “A Yoga é o meu lado B, porque nela encontro todos elementos da capoeira ditos com uma outra linguagem. Como lidar com as dificuldades, seguir meu coração e me conectar com a minha intuição e feminilidade, enfim, como dar uma importância a tudo isso.”

Capa – Ninguém duvida do valor do lado B na vida de Mel, mas nada como saber da própria professora por que ele passou a ser indispensável.  “A yoga trouxe alimento para a minha mesa e para minha alma. Yoga significa atar, unir, ligar, dirigir e conectar o corpo e a alma.”


Kleber Gutierrez rodeado de letras

Lado B – Kleber Gutierrez é jornalista e editor de economia do Diário do Comércio.  Além disso, é escritor, videomaker e ator. E ainda tem um lado B. “Ao meu lado não tem só um B. Amante das artimanhas da língua, nasci Poeta!”

Primeiros sons – O despertar para a vida poética aconteceu aos 13 anos, quando o artista se deu conta que estava em boa companhia, rodeado de letras. “Percebi que elas percorriam meu corpo, minha mente e se transformavam, se uniam, como cadeias de DNA. Naquela época, descobri que escritores vêm ao mundo com esse tipo de doença boa, crônica, que não te mata, mas te burila o tempo todo”, diz. “Vivo poeticamente, numa espécie de transe filosófico que me impulsiona e paralisa.”

Foto de divulgação de Kleber Gutierrez

Outros lados – E foi por meio da poesia que Kleber descobriu seus outros lados, todos tomados pela arte. “Ela, a Poesia, me fez descobrir os outros lados meus. Me mostrou a vastidão de arte que existe em mim. Lugares internos onde me exercito, brinco e aprendo.”

Sintonia – Hoje, o artista e a poesia são um só. “A Poesia é indispensável no universo que construo e ocupo, pois faz parte de mim. É como se fosse uma combinação genética única, sem a qual não vivo.”

A poesia

que brota em mim

é verde

e é madura

é mistura

como tudo que sou

é fissura

porque me falta

é enjoo

porque me sobra

é uma forma reta

porque se dobra

é a escolha certa

porque me cabe

é uma porta que se fecha

só porque se abre

Poesia do livro Letra, de 1997 (Massao Ohno Editor, Capa de Gustavo Rosa, fotos de Adail Moreira).

Além da poesia reunida em Letra, é possível conhecer outros poemas de Kleber Gutierrez aqui. Quer mais? Veja aqui os curtas-metragens produzidos pela Kizumba Filmes, sua produtora de conteúdo em vídeo para internet e possuidora de um dos maiores acervos de teatro alternativo.

O escritor ainda tem um lado talk show, que você pode conferir abaixo, em uma entrevista com o diretor de teatro Antunes Filho.


Tania Menai and Laila

Lado BTania Menai é jornalista e autora do livro Nova York do Oiapoque ao Chui. Desde outubro de 2009, quando descobriu que estava grávida, convive com seu atual lado B. “Meu lado B hoje é ser mãe. Tenho uma menina linda, meiga, calma e pra lá de esperta, chamada Laila.” Os elogios ouvidos por Tania só reforçam as qualidades da pequena. “Como ela é calma, comportada, amável, fácil”, dizem muitos. “Ela é tudo isso aos 14 meses de vida”, relata a jornalista.

Nacionais – “Sou totalmente contra o esquema babá-Brasil-Colônia que existe no Brasil. Fico impressionada com as mães brasileiras que saem de casa com uma mulher de branco a tiracolo, de segunda a segunda, incluindo médicos, viagens, festas e restaurantes. Essa terceirização da maternidade me apavora!  Até mesmo em Nova York, onde eu moro, já vi turistas brasileiras que trazem as tais babás (e de branco, coisa que aqui não existe, portanto não é um código)”, afirma. Tania conta que em Nova York as babás só ficam com as crianças na ausência dos pais. Um deles chegou? Sinal de que é hora de a babá ir embora. “Por isso, a minha convivência com a Laila é saudável: conheço todos seus olhares, sons, manhas. Essa troca é incrível, aprendo muito com ela. Ela frequenta manhãs de story telling (conto de histórias para crianças), música ao vivo num café aqui perto, parquinho, livraria (adora!), e restaurantes”, diz. “Sempre a coloco no cadeirão e ela participa como uma lady, se comporta à mesa e ainda adora dar bye-bye pras mesas em volta.”

Tania Menai e a filha Laila. Crédito: Alcir da Silva.

Primeiros sons – Tania acredita que quanto mais cedo ensinamos, mais cedo as crianças aprendem. Laila, por exemplo, já sabe andar de metrô. Pelo menos na companhia da mãe, os passeios são constantes. “Ela anda de metrô pra cima e pra baixo comigo, e faz que nem os nova-iorquinos: lê o livrinho dela no metrô, dentro do carrinho!” Quer mais? A garota também já viajou para Suíça, Rio de Janeiro e Filadélfia. “Adoro expô-la ao mundo, para que ela continue curiosa e desenvolva o destemor pelo novo. Crianças cheias de mimo não estão preparadas para nada. Faço da Laila a minha mini-companheira e ela adora. Se sente protegida e valorizada.”

Virando o disco – A jornalista conta que conviveu com diversas mudanças desde a descoberta da gravidez. Na época da novidade, ela saiu de Manhattan para morar no Brooklyn. Rotina e prioridades também foram transformadas. “Ah, que saudade que tenho dos meus filmes independentes. E do meu pilates. E do Central Park. E de dormir até as 11 da manhã. Mas não troco a Laila por nada – cada fase é uma fase, e esta é também maravilhosa”, garante. Já deu para notar que o lado B de Tania Menai é pra lá de indispensável, mas mesmo assim ela explica melhor. “Hoje a Laila é o centro da minha vida. O resto… é o resto.”


Du E-Holic vai fazer sua cabeça

Lado BDu E-Holic é chapeleiro. E considera sua atividade puro lado B.

Foto de divulgação de Du E-Holic: paz, amor e chapéus.

“Meu lado B são meus chapéus que me unem a pessoas diferentes, me adicionam amor à vida, meu cartão de visita, minha vida.” E conclui: “Eu sou lado B”.

Capa – Há cerca de oito anos, o jovem descobriu seu talento para criar chapéus. E não parou mais. Hoje considera seu lado B indispensável. Quer saber o motivo? “Porque é minha forma de amar e ser amado. É meu combustível de paz, amor e vida leve! Lado BBBBBBBBBBBBBBBom! Do Beeeeeeeeeeeeemm!”


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