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O colorido de Lara Dias

Foto: Carlos Hauck

Foto: Carlos Hauck

Lado BLara Dias é estudante de jornalismo e trabalha como assessora de comunicação e social media. Quando faz uma pausa para exercitar seu lado B precisa ter por perto certos materiais. “Meu lado B é pegar um papel (ou qualquer superfície branca) e colorir. Com tinta, caneta, aquarela.” Ela conta que desenha desde pequena, mas nos últimos tempos a frequência tem sido cada vez maior. E as circunstâncias são diversas. A artista, por exemplo, rabisca agendas enquanto fala ao telefone, ilustra algumas encomendas durante a madrugada, pinta garrafas de vidro descartadas pelos pais. “Meu irmão diz que algum dia vou pintar meu próprio carro. Mas eu prefiro começar pela geladeira da minha futura casinha”, diverte-se.

Capa – Só em 2009 Lara notou como o desenho era importante na vida dela. “E só faz algum tempo, talvez menos de um ano, que eu percebi que, além da minha própria gaveta, tinha gente querendo ver o que eu estava fazendo”, diz. “Acho que encarar aquela superfície lisa e branquinha e poder bagunçar do jeito que eu quiser, é um alívio e um respiro pra alma. Tem que sobrar um tempinho, nem que seja no meio de uma refeição rápida durante o dia, para exercitar os nossos rituais de terapia. Ilustrar é o meu preferido.”
Fotos: Carlos Hauck

Foto: Lara Dias


Poesias e aforismos de Flavio Meyer

Lado BFlavio Meyer é fotógrafo. Na mira de seu olhar as palavras também têm espaço garantido e fazem parte de seu lado B. “Sempre fui um grande admirador de poesias e aforismos. Por diversas vezes me arrisquei a escrever, procurando sempre experimentar diferentes construções textuais e variadas temáticas”.

Flavio Meyer apresenta de 19 a 31 de março a exposição Gigantes em Miniatura na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Fotos: Divulgação.

Letras – O artista conta que escreve poesias esporadicamente e quando as cria gosta também de ilustrá-las. Os aforismos são mais constantes e nascem junto com as imagens criadas por ele quase todos os dias. Flavio afirma que descobriu sua habilidade poética na adolescência. “Na adolescência descobri a poesia como ferramenta para deixar fluir minhas emoções e conectar-me ao sentimento de outras pessoas. Recentemente passei a desenvolver os aforismos para acompanhar as imagens e oferecer uma experiência mais completa.”

Capa – Quer saber por que o lado B de Flavio Meyer é indispensável? “Como artista visual acredito que tratam-se de artes complementares na medida em que possuem distintos alcances aos nossos sentidos. A palavra atua justamente onde a imagem perde alcance, e vice-versa.”

Nasce a Musa

O guerreiro valente deseja,
brigar por tudo que almeja,
sem nunca deixar-se cansar.
Esta vida é uma intensa batalha,
onde quem desiste é quem falha,
o que importa na vida é lutar.

Ilustração criada por Flavio Meyer para a poesia Nasce a Musa

Tantas vezes tentei sem sucesso,
eloquente frear o processo,
mas emoção não se deixa domar.
Insisto não há outro jeito,
com furor acordaste meu peito,
pois agora que deixe sangrar!

Por mais dizer-me que não,
me abusa a inspiração,
e a poesia minha te usa.
De acordo com estes fatores,
desta soma de imensos sabores,
nasceu resultado a musa.

Este meu castigo é uma sina,
que hoje, contigo combina,
mas amanhã verá renascer.
Desfruta sem zelo, óh Diva,
seu reinado de gelo, altiva
que o poeta irá te esquecer!


Eloar Guazzelli longe do traço

Lado BEloar Guazzelli é artista plástico. Mas sua formação não o limita a apenas uma atividade profissional. Desde a década de 80, ele atua no cinema de animação.

Cartaz do curtametragem Media Training, que estreia no Festival de Brasília, no fim de setembro.

“Ao mesmo tempo em que exerço atividades como professor, exerço múltiplas atividades ligadas às artes visuais: histórias em quadrinhos, cartuns e ilustração infantil. Como vivo pulando de uma atividade pra outra, existem momentos em que não consigo contextualizar bem o que seria uma atividade ‘principal’.”

Letras – Porém, quando o tema é seu lado B, sua faceta menos conhecida dentro da sua trajetória, Guazzelli é certeiro. “Gosto de escrever”, afirma. “Talvez por ser essa uma atividade que me ‘liberte’ do traço, porque mesmo sabendo que o exercício do desenho se confunda com minha própria personalidade e seja uma peça fundamental do meu próprio equilíbrio pessoal o fato de exercer tantos anos um ofício terminou por criar a necessidade de uma pausa que também serviu de abertura para novas possibilidades criativas (talvez porque mais do que o desenho o próprio ato de criar constitua a base do meu ser).”

Ensaios – A aventura de Guazzelli pelo universo das letras começou com uma série de ensaios despretensiosos, feitos em forma de cartas e artigos. Os escritos acabaram impulsionando o artista e, em 2008, durante as madrugadas das férias em Florianópolis, ele terminou seu livro intitulado 500 Gramas de Universo em Conserva (layout para capa abaixo).

Fotos: divulgação

“O pretexto foi um concurso literário mas esse sempre foi um recurso que usei para me aventurar em novas linguagens como o desenho de humor e os quadrinhos (que já foram uma espécie de lado B muito tempo atrás). De certa forma, esses eventos ajudam no processo ao colocar prazos e exigir um formato, pois dessa forma a gente não corre o risco de ficar dando voltas sem nunca concluir a proposta”, diz. “O fato é que nasceu ali uma nova necessidade de expressão que aos poucos vem ocupando minhas poucas horas livres.”

Primeiros sons – Desde a infância, a leitura é uma prática constante na vida de Guazzelli. O artista sempre teve também o hábito de mandar cartas, inclusive para pessoas da mesma cidade. “Obviamente utilizo a agilidade das mensagens virtuais para as atividades mais imediatas, mas o espaço para a correspondência tradicional até ganhou mais destaque, reservado para as grandes amizades e questões que mereçam mais profundidade”, conta. “Por outro lado meu blog me deu a liberdade de publicar, ou seja, no fim das contas a articulação de meios tradicionais com a nova esfera virtual eu ganhei espaço para exercitar meu lado B.”

Na prateleira – O livro escrito por ele no verão de 2008 não ganhou o concurso para o qual foi criado, mas o prêmio veio de uma maneira particular e especial. “O livro assinalou definitivamente minha entrada numa outra esfera da criação, me colocando no outro lado da prateleira (ou dentro do tablet daqui a pouco, quem sabe…). Resta saber se minha vaidade de artista um dia deixará outro desenhista ilustrar meus textos.”

Imagem interna, noturna, do livro 500 Gramas de Universo em Conserva.


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