A serenidade de Marcia Granja

Lado B – Marcia Granja, idealizadora do projeto Sonhos num Potinho, deixou seu lado A de escanteio há pouco menos de um ano. O resultado? Mais serenidade. “Meu lado B é um lado desacelerado. Que observa o tempo da vida, que para pra apreciar coisas simples, que não tem tanta pressa. E esse lado faz parte do meu cotidiano desde o segundo semestre do ano passado.”

Foto: divulgação

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Capa – Hoje ela considera tal lado indispensável e motivos não faltam para isso. “Não gosto de rótulos, de aparências, cargos e sobrenomes. E as pessoas lidam assim umas com as outras. O mais importante pra elas, na maioria das vezes, é ter poder, grana. As pessoas são seres-objetos. Descartáveis”, afirma. “Meu lado B é especial porque ele abre um campo de visão que me tira dessa cegueira desenfreada. Com ele tenho uma sensibilidade maior para definir o que de fato é felicidade, e assim, estou em paz com a vida.”


O colorido de Lara Dias

Foto: Carlos Hauck

Foto: Carlos Hauck

Lado BLara Dias é estudante de jornalismo e trabalha como assessora de comunicação e social media. Quando faz uma pausa para exercitar seu lado B precisa ter por perto certos materiais. “Meu lado B é pegar um papel (ou qualquer superfície branca) e colorir. Com tinta, caneta, aquarela.” Ela conta que desenha desde pequena, mas nos últimos tempos a frequência tem sido cada vez maior. E as circunstâncias são diversas. A artista, por exemplo, rabisca agendas enquanto fala ao telefone, ilustra algumas encomendas durante a madrugada, pinta garrafas de vidro descartadas pelos pais. “Meu irmão diz que algum dia vou pintar meu próprio carro. Mas eu prefiro começar pela geladeira da minha futura casinha”, diverte-se.

Capa – Só em 2009 Lara notou como o desenho era importante na vida dela. “E só faz algum tempo, talvez menos de um ano, que eu percebi que, além da minha própria gaveta, tinha gente querendo ver o que eu estava fazendo”, diz. “Acho que encarar aquela superfície lisa e branquinha e poder bagunçar do jeito que eu quiser, é um alívio e um respiro pra alma. Tem que sobrar um tempinho, nem que seja no meio de uma refeição rápida durante o dia, para exercitar os nossos rituais de terapia. Ilustrar é o meu preferido.”
Fotos: Carlos Hauck

Foto: Lara Dias


O refúgio de Zilah Rodrigues

Lado B – Zilah Rodrigues é publicitária e artesã. Ela também mantém um blog, tem uma filha adolescente, é viciada por figuras de cogumelos e cuida da loja Toda Coisinha. O dia a dia agitado não impede Zilah de encontrar tempo para seu lado B.  “Agora tem uma coisa que eu preciso fazer sempre, se não nada flui, nada vai pra frente. Vez ou outra, principalmente nos fins de semana, preciso me dedicar à preguiça. Passar o dia deitada na cama comendo besteiras, vendo filmes, séries, ouvindo música, lendo um livro ou simplesmente deixando o tempo passar enquanto penso e respiro.”

Foto: divulgação

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Pause – A publicitária conta que essa pausa é importante porque faz com que ela se desligue do trabalho, das obrigações, e relaxe. “E  nesses momentos, vezes estou sozinha, vezes acompanhada do meu noivo ou da minha filha.” Foi com o passar do tempo que Zilah percebeu a necessidade de parar e relaxar. “Acho que esse lado se acentuou mais à medida que a carga de trabalho foi aumentando e aí a necessidade de ter um momento de relaxamento, só para mim, passou a ser maior. E essa foi a melhor forma que encontrei, pois meu quarto é meu refúgio.”


Mari Pavanelli: amor e cor.

mariLado BMari Pavanelli é formada em propaganda e marketing e atua no mercado online como analista de produtos.  Também é artista autodidata, fato que deixa seu lado B encantadoramente colorido. “Meu lado B sempre foi desenhar, hoje em dia transformo meus desenhos em grafite pelos muros da cidade e venho migrando meu trabalho para as telas”, diz a artista. “Me dedico à arte todos os dias, estou sempre estudando e criando nas minhas horas vagas.”

Faixa 1 – Há cerca de dois anos, Mari decidiu colocar mais cor em um sábado cinzento e úmido. Munida de spray, saiu em busca de seu primeiro muro.  “Quando encarei o muro pela primeira vez, tinha certeza que algo ali era familiar, como se eu me sentisse em casa”, conta. “Comecei grafitando um coração alado, mas quando percebi eu vi que não era apenas cor que tinha colocado em um muro cinzento, e sim muito carinho, como forma de demonstrar meu amor e gratidão pela cidade.”

Capa – Nos domingos seguintes, Mari continuou a mostrar seu amor pela cidade e percebeu aos poucos seu estilo nascer, com suas flores expressadas em movimentos orgânicos. Hoje a artista garante que o grafite lhe ensinou muito. “Com o grafite eu aprendi a doar mais, a dividir mais, a respeitar as diferenças, e a me entregar com amor e dedicação a tudo o que eu fizer”, afirma. “Poder expressar os sentimentos mais sinceros que existem em meu coração através da minha arte, seja no grafite ou nas telas, é como viver a realização de um sonho todos os dias. É o meu melhor!”

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação.


Panmela Castro pelo mundo

Lado BPanmela Castro é grafiteira e ativista. Também é batalhadora, uma  das características que ajudou a moldar seu lado B. A artista confessa que esse lado B chega a assustá-la, mas afirma que também aprendeu algumas lições com ele, como, por exemplo, o respeito pela diversidade. “Na minha caminhada aprendi a respeitar o outro, principalmente a diversidade, e foi através da descoberta deste meu lado B que pude perceber que nem sempre estamos certos sobre tudo. Entendi os perigos desta cidade e o quanto devemos respeitá-la. Descobri toda essa gente de tantas opiniões de valor e como conviver com isso tudo”, diz. “O meu lado B é daquela menina que acha que sabe de tudo, muito briguenta e que pensa que pode abraçar o mundo com seus pequenos bracinhos!”.

Capa – Com o tempo, Panmela percebeu que suas supostas imperfeições contribuíram para o êxito de seus objetivos. No começo, a coragem da grafiteira fazia ela acreditar que podia pintar a cidade toda. “Falta de medo, cara de ‘pau’ e principalmente brigar pelo que se quer me fizeram conquistar meu espaço em minha profissão que é tão masculina. Acho que foi isso que fez com que eu hoje pudesse realizar meus sonhos de pintar por todo o mundo, ser aceita e principalmente bater de frente com o que está aí e tentar mudar um pouco disso tudo, como faço no trabalho com minha ONG, a Rede NAMI, que procura repensar a posição da mulher em nossa sociedade.”

Mural at Park Hamessila, Jerusalém, Israel. Crédito: Divulgação.

Mural at Park Hamessila, Jerusalém, Israel. Crédito: Divulgação.


Larissa Minghin e a beleza da escrita

Lado BLarissa Minghin é artista cênica e escritora. Quando põe em prática sua atividade menos conhecida, não deixa as palavras de lado. “Meu lado B é escrever poesias, contos, música”.

Letras – A paixão pela escrita começou em 2006, ano em que ela saiu de casa pela primeira vez. Larissa morava no interior de Minas Gerais e decidiu deixar o aconchego de casa para estudar teatro em São Paulo. “Todos meus questionamentos, experiências, saudades, dores e delícias, encontraram casa na escrita”.

Santas palavras – Hoje a artista garante que são vários os motivos que tornaram a escrita um ato indispensável na vida dela. Uma das razões está ligada ao fato de as palavras, a poesia e a música exercerem grande influência e tornarem realidade o trabalho Poesia, um santo remédio (poesias em cápsulas e embalagens que lembram remédios). “Acredito tanto na importância e na beleza da escrita, que deixei TUDO: trabalho fixo (trabalhava paralelamente a escrita, com moda), Belo Horizonte e me mudei para uma cidadezinha no interior de Minas, com muitas montanhas, água, céu azul-azul, muitas nuvens e poucos habitantes, cenário perfeito para trabalhar com escrita e me dedicar exclusivamente ao Santo Remédio e minha espiritualidade, que sem dúvida, faz parte do meu contato constante com a escrita e a música”.

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.


Histórias de Leticia Matos

Lado B – Leticia Matos é artista plástica, idealizadora do projeto 13pompons. Além dele, ela tem outras duas paixões: Yôga e literatura. “Pratico Yôga há 11 anos, pelos menos 3 vezes por semana. Acabei me dedicando e estudando bastante essa filosofia que acabei fazendo formação para ministrar aulas”. kapodasanaApesar de não ser sua atividade principal, a artista reserva um tempo para dar aulas particulares. “Faz parte de mim essa busca pelo autoconhecimento, que vai muito além de alongar o corpo, aprender a respirar melhor, esvaziar a mente de tanta informação e deixar o intuicional fluir melhor. E aí entra a literatura, a paixão pelos livros e pela construção de histórias”, conta. “As duas coisas se complementam. Conhecer mais o outro, me conhecer através do outro e observar minhas atitudes, emoções a partir disso tudo”.

Letras – Todas essas histórias, criadas mesclando um pouco da artista e das pessoas, têm ligação com o projeto 13pompons, que embeleza com tricô árvores, orelhões e postes de diversas cidades. “A história que se constróe enquanto teço se agrega a história de cada objeto, árvore, peça que aplico meu trabalho. Me encanta produzir algo atemporal, que vem carregado de sentimentos e que aos olhos dos outros se transforma em outra história”.http://instagram.com/p/RYmbB2GlOS/

Capa – História longa é a de Leticia com os livros. Desde criança ela gosta de ler. “Durante 4 anos participei de uma oficina de literatura, arriscando a escrita de contos”. Até hoje ela não desgruda dos livros, além de manter o hábito da escrita. “Faço anotações diárias e remexo em textos meus cerca de uma vez por semana. É fascinante viver histórias que de certa forma são minhas, que tem um pouco de mim, que tem algo do que eu talvez vivesse se estivesse naquela história. Ou não! Ou simplesmente a experiência de entrar em outros universos, sem julgamentos. ‘Seiva e risco’ é o que resume esse mergulho em outros universos e que me compõe. É o que está presente na minha vida e no meu trabalho”, diz. “Esse meu lado B me completa e transforma o meu trabalho em algo único, carregado de tudo que sou, penso e acredito”.

Fotos: Divulgação

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